+4.6 Tipos de testes de esforço
---+59. A conceção, a complexidade e o grau de pormenorização específicos das metodologias de teste de …
---+60. As instituições devem considerar a fase do ciclo económico aquando da conceção de metodologias …
---+61. As instituições devem identificar mecanismos adequados, significativos e robustos para tradução …
---+62. A ligação entre os fatores de risco de esforço e os parâmetros de risco deve basear-se na …
---+63. Devido à complexidade envolvida na modelização de fatores/cenários de risco hipotéticos e …
---+64. Aquando da interpretação dos resultados, é necessário compreender, comunicar de forma clara e …
---+65. As instituições devem avaliar possíveis interações não lineares entre fatores de risco e …
---+66. As instituições devem realizar análises de sensibilidade ao nível das exposições, carteiras ou …
---+67. As instituições devem identificar fatores de risco relevantes em vários níveis de aplicação dos …
---+68. Como um passo importante na sua análise para deteção de não linearidades e de efeitos de …
---+69. Nos casos em que existam incertezas quanto à solidez da dependência estimada entre os fatores …
---+70. As análises do fator de risco único devem ser complementadas por análises simples dos fatores …
---+71. As instituições devem manter uma lista dos fatores de risco identificados. 4.6.3 Análise de …
---+72. As instituições devem garantir que as análises de cenários sejam uma parte essencial dos seus …
---+73. A conceção dos cenários de teste de esforço deve basear-se em acontecimentos históricos, mas …
---+74. É necessário considerar um conjunto de cenários para abranger diferentes eventos e graus de …
---+75. As instituições devem assegurar que os seus cenários de teste de esforço cumpram, no mínimo, os …
---+76. As instituições devem determinar o horizonte temporal dos testes de esforço, em conformidade …
---+77. As instituições devem assegurar que: a) os testes de esforço consideram explicitamente …
---+78. As instituições devem proceder a avaliações qualitativas dos efeitos de esforço de segunda …
---+79. As instituições devem garantir que os testes de esforço se baseiam em cenários rigorosos mas …
---+80. As instituições devem garantir que são considerados vários graus de severidade, tanto para a …
---+81. As instituições devem assegurar que a severidade é definida tendo em conta as vulnerabilidades …
---+82. As instituições devem garantir que os seus cenários avaliam alterações absolutas e relativas de …
---+83. Para avaliar o grau de gravidade adequado dos cenários, as instituições devem também …
---+84. As instituições devem realizar reverse stress tests adequados no âmbito do programa de testes …
---+85. As instituições devem incluir cenários identificados através dos reverse stress tests para …
---+86. Aquando da realização dos seus reverse stress tests , as instituições devem também ponderar se …
---+87. As instituições devem utilizar reverse stress tests como um instrumento regular de gestão de …
---+88. No âmbito do seu planeamento de negócio e da gestão de risco, as instituições devem utilizar …
---+89. As instituições devem utilizar reverse stress tests no planeamento e no processo de decisão e …
---+90. Nos casos em que os reverse stress tests revelem que o risco de incumprimento do modelo de …
---+91. As instituições com modelos de negócio específicos, como as empresas de investimento, devem …
---+92. Aquando da realização de reverse stress tests em conformidade com os artigos 177.º, 290.º, n.º …
---+93. No desenvolvimento de uma narrativa bem definida dos reverse stress tests , as instituições …
---+94. As instituições devem efetuar análises quantitativas e mais sofisticadas, tendo em conta a …
---+95. As instituições devem, quando apropriado, utilizar análises de sensibilidade como ponto de …
---+96. As instituições devem utilizar os reverse stress tests como um instrumento para recolher pontos …
---+97. As instituições devem desenvolver cenários de dificuldades macroeconómicas e financeiras …
---+98. Devido aos diferentes objetivos dos dois conjuntos de reverse stress tests , os testes de …
---+99. As instituições devem utilizar reverse stress tests para apoiar o desenvolvimento, a avaliação …
---+100. As instituições devem utilizar reverse stress tests para identificar os fatores de risco …
---+101. Os reverse stress tests devem contribuir para os cenários do plano de recuperação mediante a …

4.6 Tipos de testes de esforço

4.6.1 Requisitos gerais

1. Visão geral

,
Título Regulamentação
59. A conceção, a complexidade e o grau de pormenorização específicos das metodologias de teste de …

A conceção, a complexidade e o grau de pormenorização específicos das metodologias de teste de esforço devem ser adaptados à natureza, à escala e à dimensão da instituição, bem como à complexidade e ao grau de risco das suas atividades de negócio. Deve considerar a estratégia e o modelo de negócio, assim como as características da carteira da instituição.

60. As instituições devem considerar a fase do ciclo económico aquando da conceção de metodologias …

As instituições devem considerar a fase do ciclo económico aquando da conceção de metodologias de testes de esforço, incluindo o cenário e a necessidade de eventuais medidas de gestão.

61. As instituições devem identificar mecanismos adequados, significativos e robustos para tradução …

As instituições devem identificar mecanismos adequados, significativos e robustos para tradução dos fatores de risco em parâmetros relevantes de risco internos (probabilidade de incumprimento (PD)), perda dado o incumprimento (LGD), write-offs (remissão de créditos), haircuts de avaliação de justo valor, etc.) que permitam uma visão dos riscos da instituição e do grupo.

62. A ligação entre os fatores de risco de esforço e os parâmetros de risco deve basear-se na …

A ligação entre os fatores de risco de esforço e os parâmetros de risco deve basear-se na experiência e análise histórica institucional e deve ser complementada, sempre que disponível e adequado, por índices de referência de fontes externas e, sempre que possível, de orientações de supervisão.

63. Devido à complexidade envolvida na modelização de fatores/cenários de risco hipotéticos e …

Devido à complexidade envolvida na modelização de fatores/cenários de risco hipotéticos e macroeconómicos, as instituições devem estar cientes do risco de modelo em causa e garantir a realização dos seguintes passos aquando do estabelecimento desses fatores/cenários:

  • a) realização de uma revisão regular e suficientemente conservadora dos pressupostos e dos mecanismos do modelo por parte dos peritos e cumprimento de uma abordagem de modelização prudente para ter em conta o risco de modelo;
  • b) aplicação de um grau de conservadorismo suficiente aquando da formulação de pressupostos que sejam difíceis de medir de uma forma quantitativa (por exemplo, diversificação, crescimento exponencial projetado, comissões projetadas, perspetivas de gestão prospetivas), mas que possa ter um impacto nos resultados do modelo (por exemplo, os resultados dos modelos de receitas líquidas antes de provisões devem basear-se num apoio estatístico suficiente, bem como em considerações relacionadas com o negócio); e
  • c) reconhecimento das dependências e das sensibilidades dos resultados relativamente aos pressupostos e avaliação regular do respetivo impacto.
64. Aquando da interpretação dos resultados, é necessário compreender, comunicar de forma clara e …

Aquando da interpretação dos resultados, é necessário compreender, comunicar de forma clara e ter em conta as deficiências dos modelos e mecanismos que ligam os fatores de risco às perdas ou aos parâmetros de risco acrescidos. Os modelos devem ter em conta as interações entre a solvência e a liquidez do financiamento e os custos de financiamento para não subestimarem de forma significativa e sistemáticao impacto de um choque. Sempre que possível, devem ser comparados os resultados das diferentes abordagens de modelização (por exemplo, no caso dos modelos de receitas líquidas antes de provisões, deve dispor-se de uma comparação entre o modelo utilizado e outras abordagens possíveis e os fundamentos da sua rejeição). Estas ligações devem ter como base modelos estatísticos sólidos. No entanto, se a disponibilidade, a qualidade ou as quebras estruturais dos dados históricos não permitirem estimativas significativas (por exemplo, no caso dos modelos de receita líquida antes de provisões, é necessário dispor de dados históricos que abranjam um ciclo de taxas de juro e um ciclo económico, bem como informações sobre alterações na estratégia de negócio e na estrutura da organização), as análises quantitativas devem ser apoiadas por pareceres qualitativos de peritos. Mesmo nos casos em que o processo de modelização subjacente seja sólido, o parecer de peritos deve desempenhar um papel na verificação dos resultados do modelo.

65. As instituições devem avaliar possíveis interações não lineares entre fatores de risco e …

As instituições devem avaliar possíveis interações não lineares entre fatores de risco e parâmetros de risco acrescido/de esforço.

4.6.2 Análise da sensibilidade

66. As instituições devem realizar análises de sensibilidade ao nível das exposições, carteiras ou …

As instituições devem realizar análises de sensibilidade ao nível das exposições, carteiras ou unidades de negócio individuais, ao nível das instituições e para tipos de risco específicos, proporcionais à sua complexidade. As instituições devem avaliar a que nível de agregação as análises de sensibilidade são relevantes ou mesmo viáveis. A utilização de pareceres de peritos deve ser explicada ao pormenor, sempre que aplicável.

67. As instituições devem identificar fatores de risco relevantes em vários níveis de aplicação dos …

As instituições devem identificar fatores de risco relevantes em vários níveis de aplicação dos requisitos prudenciais e em diferentes carteiras, unidades de negócio e localizações geográficas. As instituições devem assegurar que são abrangidos todos os tipos de fatores de risco relevantes, incluindo variáveis macroeconómicas e macrofinanceiras, aspetos estatísticos dos parâmetros de risco (como a volatilidade dos parâmetros de PD) e fatores idiossincráticos, como os riscos operacionais.

68. Como um passo importante na sua análise para deteção de não linearidades e de efeitos de …

Como um passo importante na sua análise para deteção de não linearidades e de efeitos de limiar, ou seja, valores críticos de fatores de risco além dos quais as respostas ao esforço se acentuam, as instituições devem definir os fatores de risco identificados utilizando diferentes graus de severidade.

69. Nos casos em que existam incertezas quanto à solidez da dependência estimada entre os fatores …

Nos casos em que existam incertezas quanto à solidez da dependência estimada entre os fatores de risco macroeconómicos/macrofinanceiros e os parâmetros de risco ou se for necessário validar os resultados de análises de cenários mais abrangentes, as instituições devem envidar esforços para garantir que as análises de sensibilidade são também realizadas acentuando aspetos estatísticos dos parâmetros de risco da carteira de acordo com as distribuições históricas, complementadas por pressupostos hipotéticos (por exemplo, relativamente a volatilidades futuras).

70. As análises do fator de risco único devem ser complementadas por análises simples dos fatores …

As análises do fator de risco único devem ser complementadas por análises simples dos fatores de risco múltiplos, em que se assume uma realidade combinada, sem que seja necessário definir um cenário.

71. As instituições devem manter uma lista dos fatores de risco identificados. 4.6.3 Análise de …

As instituições devem manter uma lista dos fatores de risco identificados.

4.6.3 Análise de cenários

72. As instituições devem garantir que as análises de cenários sejam uma parte essencial dos seus …

As instituições devem garantir que as análises de cenários sejam uma parte essencial dos seus programas de testes de esforço.

73. A conceção dos cenários de teste de esforço deve basear-se em acontecimentos históricos, mas …

A conceção dos cenários de teste de esforço deve basear-se em acontecimentos históricos, mas também em cenários hipotéticos baseados em acontecimentos não históricos. As instituições devem assegurar que os cenários concebidos são prospetivos e que têm em conta as alterações sistemáticas e específicas da instituição no presente e no futuro previsível. Para esse efeito, as instituições devem procurar recorrer a dados externos de ambientes de risco semelhantes, relevantes para as instituições com modelos de negócio semelhantes. As instituições devem utilizar dados pertinentes e disponíveis. Os dados pertinentes podem ser internos e/ou externos e incluir orientações de benchmarking e de supervisão.

74. É necessário considerar um conjunto de cenários para abranger diferentes eventos e graus de …

É necessário considerar um conjunto de cenários para abranger diferentes eventos e graus de severidade, quando significativos e exequíveis.

75. As instituições devem assegurar que os seus cenários de teste de esforço cumpram, no mínimo, os …

As instituições devem assegurar que os seus cenários de teste de esforço cumpram, no mínimo, os seguintes requisitos:

  • a) abordar os principais fatores de risco a que a instituição pode estar exposta; a este respeito, é necessário utilizar os resultados obtidos a partir de análises do fator de risco único, que visam fornecer informações sobre a sensibilidade aos fatores de risco únicos para identificar cenários que incluam um conjunto combinado de fatores de risco em situação de esforço altamente plausíveis; é necessário incluir e considerar todos os fatores de risco materiais;
  • b) dar resposta às principais vulnerabilidades que lhe são próprias, decorrentes das características regionais e setoriais de uma instituição, bem como as suas exposições específicas de produtos ou de linhas de negócio e políticas de financiamento: os riscos de concentração e de correlação, devem ser identificados a priori , tanto do tipo intra como inter-risco;
  • c) incluir uma descrição coerente para o cenário, abrangendo todos os principais fatores de risco, bem como a sua evolução (prospetiva) com base em múltiplos eventos de desencadeamento (isto é, a política monetária, a evolução do setor financeiro, os preços das matérias-primas, os acontecimentos políticos e catástrofes naturais); as instituições devem assegurar que a descrição do cenário seja plausível e não contraditória ao assumir
  • o movimento paralelo dos fatores de risco e a correspondente reação dos participantes no mercado; e, caso se excluam da descrição do cenário determinados fatores de risco, as instituições devem assegurar que essa exclusão seja plenamente justificada e documentada;
  • d) sejam coerentes internamente, de modo a assegurar que os fatores de risco identificados se comportam de forma consistente com outros fatores de risco numa situação de esforço e que contêm estimativas explícitas e pressupostos sobre a estrutura de dependência entre os principais fatores de risco subjacentes; acima de tudo, para identificar novas sensibilidades, devem explorar-se os movimentos paralelos dos fatores de risco que possam parecer contraditórios;
  • e) ter em conta a inovação e, mais especificamente, evoluções tecnológicas ou produtos financeiros sofisticados, sem negligenciar a sua interação com produtos mais tradicionais; e
  • f) assegurar que os fatores de risco em situação de esforço se traduzem em parâmetros de risco coerentes a nível interno.
76. As instituições devem determinar o horizonte temporal dos testes de esforço, em conformidade …

As instituições devem determinar o horizonte temporal dos testes de esforço, em conformidade com o objetivo do exercício, as características da carteira da instituição, como a sua maturidade e liquidez das posições de esforço, se aplicável, assim como o perfil de risco. Os testes de esforço de solvência e os testes de esforço de liquidez exigem horizontes temporais e cenários diferentes.

77. As instituições devem assegurar que: a) os testes de esforço consideram explicitamente …

As instituições devem assegurar que:

  • a) os testes de esforço consideram explicitamente interdependências dinâmicas, por exemplo, entre regiões económicas e entre setores económicos, incluindo o setor financeiro;
  • b) o cenário global tem em conta dinâmicas sistémicas, por exemplo, o encerramento de determinados mercados e as concentrações de risco numa classe de ativos (por exemplo, crédito hipotecário); e
  • c) são abrangidas as dinâmicas adversas de feedback , causadas por fatores como interações entre avaliações, perdas e requisitos de aplicação de margens.
78. As instituições devem proceder a avaliações qualitativas dos efeitos de esforço de segunda …

As instituições devem proceder a avaliações qualitativas dos efeitos de esforço de segunda ordem ou de feedback a nível individual, quando aplicável, e, em especial, se não for possível estabelecer estimativas quantitativas sólidas. Por exemplo, uma determinada instituição pode introduzir ajustes de preços ou de volume para ter em conta alguns efeitos estratégicos (por exemplo, o nível da estratégia de concessão de crédito) e responder endogenamente ao cenário.

4.6.4 Severidade dos cenários

79. As instituições devem garantir que os testes de esforço se baseiam em cenários rigorosos mas …

As instituições devem garantir que os testes de esforço se baseiam em cenários rigorosos mas plausíveis e o grau de severidade deve refletir o objetivo do teste de esforço. Para o efeito, os testes de esforço devem ser:

  • a) significativos em termos da abordagem dos riscos relevantes para a instituição, a fim de promover a estabilidade da instituição em condições adversas e, no caso de bancos de importância sistémica, também o sistema financeiro em todos os pontos do ciclo económico e sobre as flutuações do mercado, incluindo os mercados de financiamento; e
  • b) aplicados de forma coerente em toda a instituição, reconhecendo que o impacto de cenários idênticos não é necessariamente severo para todas as linhas de negócio.
80. As instituições devem garantir que são considerados vários graus de severidade, tanto para a …

As instituições devem garantir que são considerados vários graus de severidade, tanto para a análise de sensibilidade como as análises de cenário, abrangendo pelo menos uma recessão económica grave para a avaliação da adequação e do planeamento de capital.

81. As instituições devem assegurar que a severidade é definida tendo em conta as vulnerabilidades …

As instituições devem assegurar que a severidade é definida tendo em conta as vulnerabilidades específicas de cada instituição relativamente a um determinado cenário, com base no seu modelo de negócio (por exemplo, exposto aos mercados internacionais). As instituições devem desenvolver os seus próprios cenários e não devem depender de cenários das autoridades de supervisão. Ao avaliar a severidade de um cenário, a instituição deve estar ciente da dinâmica dos ambientes de risco e das experiências das instituições com modelos de negócio semelhantes.

82. As instituições devem garantir que os seus cenários avaliam alterações absolutas e relativas de …

As instituições devem garantir que os seus cenários avaliam alterações absolutas e relativas de fatores de risco. Num cenário absoluto, o grau de severidade deve ser uma alteração direta do fator de risco e não depender do nível atual. Num cenário relativo, o grau de severidade deve depender do nível e da situação económica atual (por exemplo, o crescimento do PIB diminui 2 %, ou seja, uma alteração relativa do nível absoluto). Por exemplo, uma variação relativa negativa de 2 % do PIB comparativamente a um ponto de partida com uma diferença positiva substancial do resultado (ou seja, o PIB atual é substancialmente superior ao PIB estrutural) não origina, necessariamente, um efeito severo de esforço sobre o PIB em termos absolutos/de nível. Do mesmo modo, quanto mais grave for a situação económica atual no início, mais grave

  • o esforço de um cenário relativo. As instituições devem assegurar que a sua escolha do cenário seja suficientemente severa tanto em termos relativos como em termos absolutos. É necessário justificar e documentar a escolha e o seu impacto no grau de severidade.
83. Para avaliar o grau de gravidade adequado dos cenários, as instituições devem também …

Para avaliar o grau de gravidade adequado dos cenários, as instituições devem também compará-los com os cenários descritos nos seus reverse stress tests , tendo em conta as implicações específicas do modelo de reverse stress test para a plausibilidade do cenário.

4.6.5 Reverse stress tests

Requisitos

84. As instituições devem realizar reverse stress tests adequados no âmbito do programa de testes …

As instituições devem realizar reverse stress tests adequados no âmbito do programa de testes de esforço, partilhando a mesma governação, uma infraestrutura eficaz e padrões de qualidade e para complementar outros tipos de testes de esforço, tendo em conta a natureza, a dimensão, a escala e a complexidade das suas atividades de negócio e dos seus riscos. As instituições de pequena dimensão e menos complexas podem concentrar-se mais nos aspetos qualitativos dos reverse stress tests , ao passo que são necessárias técnicas de reverse stress tests mais sofisticadas em instituições de maior dimensão ou mais complexas. Os reverse stress tests devem ser claramente definidos em termos de responsabilidades e de recursos atribuídos e devem dispor de uma infraestrutura de apoio adequada e flexível e através de políticas e procedimentos escritos. Os reverse stress tests devem ser realizados regularmente por todos os tipos de instituições e no mesmo nível de aplicação que o ICAAP e o ILAAP (por exemplo, a nível da instituição e abrangendo todos os tipos de riscos relevantes).

85. As instituições devem incluir cenários identificados através dos reverse stress tests para …

As instituições devem incluir cenários identificados através dos reverse stress tests para complementar o conjunto de cenários de testes de esforço que realizam e, para efeitos de comparação, para avaliar a severidade global, permitindo a identificação de cenários severos mas plausíveis. Os reverse stress tests devem ser úteis para avaliar a severidade dos cenários para os testes de esforço do ICAAP e do ILAAP. É também possível avaliar a severidade dos cenários dos reverse stress tests comparando-os com, nomeadamente, cenários históricos ou outros cenários de supervisão e de acesso público.

86. Aquando da realização dos seus reverse stress tests , as instituições devem também ponderar se …

Aquando da realização dos seus reverse stress tests , as instituições devem também ponderar se a insolvência de uma ou mais das suas principais contrapartes ou uma perturbação significativa do mercado decorrente da insolvência de um importante operador no mercado (de uma forma separada ou combinada) provocaria um resultado predefinido.

Utilização de reverse stress tests

87. As instituições devem utilizar reverse stress tests como um instrumento regular de gestão de …

As instituições devem utilizar reverse stress tests como um instrumento regular de gestão de risco para dar a conhecer as vulnerabilidades atuais e potenciais, proporcionando um valor acrescentado à gestão de risco das instituições. O princípio da proporcionalidade aplica-se a todos os aspetos de utilização de reverse stress tests. As instituições devem também considerar que os resultados predefinidos dos reverse stress tests podem ser consequência de circunstâncias que não as analisadas no teste de esforço.

88. No âmbito do seu planeamento de negócio e da gestão de risco, as instituições devem utilizar …

No âmbito do seu planeamento de negócio e da gestão de risco, as instituições devem utilizar reverse stress tests para compreender a viabilidade e a sustentabilidade dos seus modelos e estratégias de negócio, bem como identificar as circunstâncias em que possam estar em situação ou em risco de insolvência, na aceção do artigo 32.º da Diretiva 2014/59/UE. É importante que as instituições identifiquem indicadores que forneçam alertas quando um cenário se torna numa realidade. Para o efeito, as instituições devem:

  • a) identificar os resultados predefinidos a testar (por exemplo, o facto de um modelo de negócio se tornar inviável);
  • b) identificar possíveis circunstâncias adversas que as exponham a vulnerabilidades severas e deem origem ao resultado predefinido;
  • c) avaliar (em função da dimensão da instituição, bem como da natureza, da escala, da complexidade e do grau de risco das suas atividades de negócio) a probabilidade de ocorrência de acontecimentos incluídos nos cenários conducentes aos resultados predefinidos; e
  • d) adotar dispositivos, processos, sistemas ou outras medidas eficazes para prevenir ou atenuar riscos e vulnerabilidades identificados.
89. As instituições devem utilizar reverse stress tests no planeamento e no processo de decisão e …

As instituições devem utilizar reverse stress tests no planeamento e no processo de decisão e para desafiar os seus modelos e estratégias de negócio de forma a identificar e analisar o que pode eventualmente levar a que os seus modelos de negócio se tornem inviáveis, como a avaliação da capacidade de gerar retornos durante os meses seguintes e a sustentabilidade da estratégia para gerar rendimentos ao longo de um período mais longo, com base em planos estratégicos e previsões financeiras. Prevê-se a participação do órgão de administração e da gestão de topo ao longo de todo o processo.

90. Nos casos em que os reverse stress tests revelem que o risco de incumprimento do modelo de …

Nos casos em que os reverse stress tests revelem que o risco de incumprimento do modelo de negócio de uma instituição é inaceitavelmente elevado e incoerente com a sua apetência ao risco, a instituição deve planear medidas para prevenir ou atenuar esse risco, tendo em conta

  • o tempo que a instituição deve ter para reagir a tais acontecimentos e aplicar essas medidas. No âmbito destas medidas, a instituição deve considerar se são necessárias alterações ao seu modelo de negócio. A documentação do ICAAP deve incluir pormenores acerca destas medidas resultantes de reverse stress tests , incluindo quaisquer alterações ao plano de atividades da instituição.
91. As instituições com modelos de negócio específicos, como as empresas de investimento, devem …

As instituições com modelos de negócio específicos, como as empresas de investimento, devem utilizar reverse stress tests para explorar as suas vulnerabilidades a eventos extremos, em especial quando os seus riscos não são suficientemente captados por cenários de esforço mais tradicionais (por exemplo, solvência e liquidez) com base em choques macroeconómicos.

92. Aquando da realização de reverse stress tests em conformidade com os artigos 177.º, 290.º, n.º …

Aquando da realização de reverse stress tests em conformidade com os artigos 177.º, 290.º, n.º 8, e 368.º, n.º 1, alínea g), do Regulamento (UE) n.º 575/2013, as instituições que utilizam modelos internos para o risco de crédito, o risco de crédito de contraparte e o risco de mercado, devem procurar identificar cenários severos, mas plausíveis, que possam resultar em resultados negativos significativos e, potencialmente, pôr em causa a viabilidade global da instituição. As instituições devem ver estes reverse stress tests como um complemento essencial dos seus modelos internos para o cálculo dos requisitos de capital e como um instrumento regular de gestão de risco para revelar as eventuais insuficiências destes modelos internos. Em cenários de esforço severos, embora tal não deva necessariamente ser entendido como uma indicação de que a modelização dos contributos para a fórmula das notações internas (IRB) é inadequada, o risco de modelo aumentará e pode dar origem a uma desagregação da previsibilidade do modelo.

93. No desenvolvimento de uma narrativa bem definida dos reverse stress tests , as instituições …

No desenvolvimento de uma narrativa bem definida dos reverse stress tests , as instituições devem realizar análises qualitativas e compreender de forma clara os seus efeitos não lineares e de feedback , tendo em conta a dinâmica do risco e as combinações de e as interações entre tipos de risco. Aquando do desenvolvimento de uma descrição bem definida, uma instituição deve ter em conta os eventos exógenos, como acontecimentos económicos, quebras da indústria, acontecimentos políticos, casos de litígio e eventos naturais, bem como fatores de risco, como os riscos operacionais, a concentração e as correlações, os riscos de reputação e as perdas de confiança, e as combinações destes eventos e fatores. É essencial que o órgão de administração da instituição participe de forma adequada nos debates da narrativa, tendo em conta eventuais vulnerabilidades específicas e o impacto em toda a instituição.

94. As instituições devem efetuar análises quantitativas e mais sofisticadas, tendo em conta a …

As instituições devem efetuar análises quantitativas e mais sofisticadas, tendo em conta a dimensão da instituição, bem como a natureza, a escala, a complexidade e o grau de risco das suas atividades de negócio, aquando do estabelecimento de níveis de perdas específicos ou outros efeitos negativos sobre o seu capital, a sua liquidez (por exemplo, o acesso ao financiamento, em especial o aumento dos custos de financiamento) ou a situação financeira global. As instituições devem trabalhar no sentido inverso, de forma quantitativa, para identificar os fatores de risco e a necessária amplitude de alterações suscetíveis de causar essa perda ou impacto negativo (por exemplo, através da definição do nível de perdas adequado ou de outra medida de interesse no balanço da instituição financeira, como rácios de capital ou fontes de financiamento). As instituições devem compreender e documentar pormenorizadamente os fatores de risco (por exemplo, revelando o fator exato com maior impacto no portfolio tail region ), os principais segmentos de negócio e uma descrição clara e coerente dos pontos fracos e dos cenários correspondentes (por exemplo, sobre os pressupostos subjacentes e a sensibilidade dos resultados aos pressupostos ao longo do tempo) que dão origem aos resultados predefinidos, à cadeia de eventos e ao fluxo provável (por exemplo, os fatores mais importantes podem ser mapeados a variáveis macroeconómicas, de acordo com as combinações para uma determinada perda/capital alvo numa carteira), identificando vulnerabilidades ocultas (por exemplo, correlações e concentrações ocultas) e efeitos de sobreposição.

95. As instituições devem, quando apropriado, utilizar análises de sensibilidade como ponto de …

As instituições devem, quando apropriado, utilizar análises de sensibilidade como ponto de partida para os reverse stress tests , por exemplo, transferindo um ou mais parâmetros relevantes para alguns extremos para conseguir os resultados predefinidos. Uma instituição deve considerar várias análises de sensibilidade inversa para o risco de crédito (por exemplo, o número de grandes clientes que deverão entrar em incumprimento antes da perda do capital com capacidade de absorção de perdas), o risco de mercado, o risco de liquidez (por exemplo,

  • o esforço sobre os depósitos no setor de retalho e as circunstâncias que iriam esgotar as reservas de liquidez da instituição) e o risco operacional, entre outros riscos, e uma análise combinada em que todos os riscos são cobertos em simultâneo. No entanto, uma instituição não deve utilizar principalmente uma análise de sensibilidade e métodos simples para identificar o cenário relevante para o reverse stress test . A análise qualitativa deve permitir a identificação do cenário relevante, combinando pareceres de peritos de diferentes áreas de negócio, uma vez que pensar deve ser a forma mais eficaz de impedir um insucesso do modelo de negócio. Deve ser desenvolvida uma junção de todos os parâmetros de risco relevantes utilizando aspetos estatísticos (por exemplo, a volatilidade dos fatores de risco em consonância com as observações históricas, complementada com pressupostos hipotéticos, mas plausíveis). A plausibilidade das variações de parâmetros necessárias para alcançar os resultados predefinidos proporciona uma noção inicial das possíveis vulnerabilidades na instituição. Para avaliar a plausibilidade, devem ser aplicadas nomeadamente distribuições de probabilidade históricas (multivariadas) – ajustadas, sempre que necessário, de acordo com os pareceres de peritos. As análises e avaliações qualitativas, combinando pareceres de peritos de diferentes áreas de negócio, devem orientar a identificação de cenários relevantes.
96. As instituições devem utilizar os reverse stress tests como um instrumento para recolher pontos …

As instituições devem utilizar os reverse stress tests como um instrumento para recolher pontos de vista sobre cenários que envolvam combinações de esforço de solvência e de liquidez, quando a modelização tradicional não capte aspetos complexos de situações reais. As instituições devem utilizar reverse stress tests para contestar os seus planos de capital e planos de liquidez. Se apropriado, as instituições devem identificar e analisar situações que possam agravar uma situação de esforço de liquidez, transformando-a numa situação de esforço de solvência, e vice-versa, e eventualmente numa situação de insolvência da empresa. As instituições devem esforçar-se por aplicar reverse stress tests , de forma integrada, para riscos de capital ou de liquidez, com vista a melhorar a compreensão e a gestão de riscos conexos em situações extremas.

Ações de recuperação e planeamento da recuperação

97. As instituições devem desenvolver cenários de dificuldades macroeconómicas e financeiras …

As instituições devem desenvolver cenários de dificuldades macroeconómicas e financeiras graves, variando em função da sua severidade (incluindo eventos sistémicos, esforço específico da entidade jurídica e esforço ao nível do grupo), a utilizar em planos de recuperação nos termos do artigo 5.º, n.º 6, da Diretiva relativa à Recuperação e Resolução Bancárias (DRRB) e da EBA/GL/2014/06, e utilizar reverse stress tests específicos para desenvolver cenários de «quase incumprimento» (instituição próxima da insolvência, mas sem passar esse limite) e como contributo para informar e testar a eficiência e a eficácia das suas ações de recuperação e do seu planeamento da recuperação, e analisar sensibilidades em torno dos pressupostos correspondentes. Estes cenários de «quase incumprimento» devem identificar e descrever o ponto que levaria o modelo de negócio de uma instituição ou de um grupo a tornar-se inviável, a não ser que as ações de recuperação tenham sido aplicadas com sucesso. Os cenários devem permitir a estimativa dos resultados e a adequação de todas as opções de recuperação disponíveis. A terminologia utilizada na descrição dos cenários de recuperação deve ajudar a determinar as opções de recuperação que foram testadas em cenários de esforço específicos. A descrição deve ter um nível suficiente de pormenor, através de um conjunto de pressupostos quantitativos e de uma descrição qualitativa, para determinar se o cenário é ou não relevante para a instituição e a severidade do mesmo. Os acontecimentos devem ser descritos numa sequência lógica e os pressupostos subjacentes aos principais fatores (por exemplo, rendimento líquido, ativos ponderados pelo risco (RWA), capital) devem ser estabelecidos de forma muito clara. Os cenários devem também ter em conta uma possível estimativa dos efeitos cruzados da execução de diferentes opções do plano de recuperação no mesmo cenário de esforço. Os cenários devem também permitir compreender a forma como os acontecimentos se irão desenrolar através de um calendário adequado que indique claramente em que momento serão desenvolvidas determinadas ações (com implicações para a sua credibilidade e para a sua viabilidade). O objetivo deste exercício consiste em testar a eficácia das opções de recuperação da instituição na restauração da solidez e da viabilidade financeira, quando a instituição está sujeita a tal esforço severo.

98. Devido aos diferentes objetivos dos dois conjuntos de reverse stress tests , os testes de …

Devido aos diferentes objetivos dos dois conjuntos de reverse stress tests , os testes de esforço para efeitos do ICAAP e do ILAAP e o planeamento da recuperação não devem estar interligados, mas comparados entre si.

99. As instituições devem utilizar reverse stress tests para apoiar o desenvolvimento, a avaliação …

As instituições devem utilizar reverse stress tests para apoiar o desenvolvimento, a avaliação e a calibração dos cenários de «quase incumprimento» utilizados para o planeamento da recuperação.

100. As instituições devem utilizar reverse stress tests para identificar os fatores de risco …

As instituições devem utilizar reverse stress tests para identificar os fatores de risco, compreender melhor e descrever os cenários que resultariam em «quase incumprimento», avaliando ações de recuperação eficazes que possam ser aplicadas de forma credível, quer a título prévio quer à medida que os fatores de risco ou os cenários se desenvolvem.

101. Os reverse stress tests devem contribuir para os cenários do plano de recuperação mediante a …

Os reverse stress tests devem contribuir para os cenários do plano de recuperação mediante a utilização de uma descrição de cenários dinâmica e quantitativa, que deve abranger:

  • a) os fatores desencadeadores de recuperação (ou seja, os pontos em que a instituição adotará medidas de recuperação no cenário hipotético);
  • b) as medidas de recuperação necessárias e a sua eficácia esperada, incluindo o método de avaliação dessa eficácia (ou seja, os indicadores que devem ser monitorizados por forma a concluir que não são necessárias outras medidas);
  • c) o calendário e o processo adequados necessários para essas medidas de recuperação; e
  • d) no caso de outras situações de esforço, as alíneas b) e c) para as potenciais medidas de recuperação adicionais necessárias para fazer face aos riscos residuais.

1.1 Referências

1.2 Requisitos identificados

1.3 Normas relacionadas

2. Requisitos identificados

Requisitos
Fonte Requisito

3. Normas relacionadas

Normas
Fonte Requisito
  • EBA - Published by the European Banking Authority at https://www.eba.europa.eu/